Um post recente aqui no blog perguntava sobre os melhores livros brasileiros de 2009. É pergunta que não arrisco responder. Porque qualquer resposta daria a entender que por trás há leitura suficiente para isso, o que está longe da verdade.
E aí o que resta é a estratégia de sempre: guiar-se pelos prêmios literários, pelas resenhas de jornal, pelas opiniões daqueles a quem nos interessa agradar, pelas apostas seguras nos autores já devidamente cobertos de prestígio e atenção. Mas também não dá pra confiar muito em quem faz uma “lista de melhores” com base nesses critérios.
Apesar de tudo isso, só queria insistir num ponto: me parece justo que qualquer seleção dos melhores de 2009 inclua o Pornopopéia, de Reinaldo Moraes. O livro não ganhou prêmio importante nem foi para a lista dos mais vendidos, mas seus fãs já ultrapassaram há muito os muros da mercearia São Pedro — o bar paulistano que está para Reinaldo Moraes como a Praça Roosevelt para Mário Bortolotto.
Imagino que muitos tenham desistido da leitura por causa do tamanho. Ou por achar que ali está o mesmo ego desgovernado de outros autores associados ao universo “underground”. Ou ainda por acreditar que se trata de um novo Tanto faz, o romance de Reinaldo do começo dos anos 1980 que narra suas estripulias em Paris.
O livro é bem mais que isso, como mostrou esse texto do crítico Alcir Pécora na Folha de S. Paulo (conteúdo restrito). Nos quesitos ambição, refinamento do estilo e humor, estou para ver algum que seja páreo entre os lançamentos de 2009. Fica então o lembrete aos que se arriscam a montar listas dos melhores do ano.
